Os afastamentos por transtornos mentais cresceram de forma importante nos últimos anos no Brasil, com destaque após 2021, e os diagnósticos mais frequentes continuam concentrados em transtornos de ansiedade e transtornos do humor (incluindo depressão). Esse aumento aparece com clareza nas notificações de transtornos mentais relacionados ao trabalho no SINAN (série 2007–2023), que mostram elevação progressiva e concentração em ansiedade/alterações de humor, além de alta proporção de incapacidade temporária entre os casos notificados.
Neste artigo, você vai entender por que esses casos crescem tanto, quais são os direitos do trabalhador, o que a Lei 14.831 muda no ambiente corporativo e como prevenir novos afastamentos.
Principais causas dos afastamentos por transtornos mentais
- Ansiedade e depressão permanecem entre os principais motivos de afastamento por transtornos mentais, e também predominam nas notificações de transtornos mentais relacionados ao trabalho no Brasil.
- Outros diagnósticos podem aparecer com frequência relevante (incluindo transtornos psicóticos, uso de substâncias e transtornos de personalidade), mas a concentração maior costuma ficar nos grupos ansiedade/estresse e humor
Esses números mostram que a saúde mental precisa ser tratada como pauta estratégica dentro das empresas.
Benefício por incapacidade: Como funciona pelo INSS
Quando o trabalhador precisa se afastar por mais de 15 dias, ele pode solicitar o benefício por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença).
O INSS avalia a condição por meio de perícia médica e define o tempo inicial de afastamento.
Leia também: Como pedir afastamento do trabalho por doenças?
Lei 14.831/2024: O que muda para as empresas?
Em vigor desde março de 2024, a norma incentiva organizações a adotarem critérios formais de promoção da saúde mental e do bem-estar no ambiente de trabalho.
Isso inclui:
- ações preventivas
- identificação de riscos psicossociais
- programas de acolhimento e reabilitação
Normas recentes reforçam e incentivam práticas corporativas estruturadas em saúde mental. Na prática, o que mais se alinha às evidências é combinar:
(1) prevenção por redução de riscos psicossociais no trabalho
(2) promoção de competências e cultura de apoio
(3) resposta organizada quando já existe adoecimento (acolhimento, tratamento e retorno ao trabalho com adaptação)
Leia também: Riscos psicossociais: como identificar e controlar.
Por que a prevenção é essencial?
Investir em saúde mental reduz:
- afastamentos recorrentes
- queda de produtividade
- rotatividade
- custos trabalhistas
Programas estruturados de prevenção são considerados hoje uma vantagem competitiva.
Leia também: Iniciativas de baixo custo para melhorar a saúde mental nas empresas.
Perguntas frequentes (FAQ)
Quanto tempo o INSS afasta por depressão?
Não existe um tempo único. A duração do benefício por incapacidade temporária é definida pela perícia do INSS, com base em laudos, evolução clínica, tratamento e incapacidade funcional, podendo haver prorrogação se persistir incapacidade.
Quais são os direitos do trabalhador afastado por depressão?
1. Auxílio-doença
Pago pelo INSS enquanto durar a incapacidade comprovada.
2. Estabilidade no emprego
O trabalhador não pode ser demitido durante o afastamento e tem estabilidade de 12 meses após o retorno, conforme a Lei nº 8.213/91.
3. Avaliação por perícia médica
É obrigatório apresentar:
- laudos médicos
- atestados
- receitas e histórico de tratamento
O que fazer ao enfrentar problemas de saúde mental
1. Procure ajuda especializada
Apoio psicológico e psiquiátrico é essencial para diagnóstico e tratamento.
2. Avise seu empregador
Se houver necessidade de afastamento, comunique formalmente e siga o fluxo do INSS.
3. Busque apoio emocional
Compartilhar a situação com familiares, amigos ou grupos de apoio reduz a sensação de isolamento.
4. Entenda que pedir ajuda é um ato de cuidado
Enfrentar a situação é fundamental para recuperar o bem-estar e a qualidade de vida.
Por que a depressão gera afastamentos longos e sem solução rápida?
A depressão pode levar a afastamentos prolongados devido a uma combinação de fatores, como:
1. Complexidade da doença
Atinge corpo, mente e emoções, impactando produtividade e funcionalidade.
2. Dificuldade de identificar o grau
Os sintomas variam e nem sempre são visíveis, tornando a avaliação subjetiva.
3. Falta de acesso a tratamento adequado
Altos custos, pouca oferta de especialistas e longas filas dificultam o acompanhamento contínuo.
4. Estigma social
O preconceito atrasa o diagnóstico e inibe a busca por apoio.
5. Impacto no desempenho
Compromete:
- concentração
- memória
- tomada de decisão
6. Ciclo de baixa autoestima
Sensação de incapacidade, desmotivação e culpa agravam o quadro.
7. Ambiente de trabalho adoecido
Pressão excessiva, mudanças constantes e comunicação falha são gatilhos comuns.
8. Problemas financeiros e sociais
Insegurança, solidão e falta de apoio familiar aumentam o risco de recaídas.
Como enfrentar e reduzir afastamentos por depressão
1. Acompanhamento profissional contínuo
Tratamento com psicólogos e psiquiatras.
2. Terapia
Ajuda a identificar causas, reorganizar pensamentos e desenvolver ferramentas de enfrentamento.
3. Medicamentos
Indicados quando necessários para estabilizar sintomas.
4. Hábitos saudáveis
Sono adequado, atividade física e boa alimentação melhoram a resposta ao tratamento.
5. Rede de apoio
Família, amigos e grupos especializados fortalecem o processo de recuperação.
6. Conhecimento sobre direitos trabalhistas
Entender regras do INSS e estabilidade ajuda a reduzir inseguranças.
7. Comunicação aberta no trabalho
Empresas com cultura acolhedora diminuem o risco de agravamento emocional.
Conclusão: Saúde mental é prioridade e exige ação imediata
O crescimento dos afastamentos por ansiedade e depressão mostra que não se trata apenas de um problema individual, mas sim organizacional e social.
Investir em prevenção, acolhimento e programas estruturados de saúde mental é a melhor forma de reduzir custos, melhorar o clima organizacional e garantir qualidade de vida aos trabalhadores.
Se você é empresa, é hora de agir.
Se você é trabalhador, lembre-se: buscar ajuda é o primeiro passo para recomeçar.
Revisão médica: Dra Cléo Etges, CRM 90.922. Medicina do Trabalho (USP – Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo) e Medicina Integrativa (Hospital Albert Einstein Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa)

