A disfagia, ou dificuldade para engolir, pode ser causada por uma variedade de fatores, incluindo condições neurológicas, estruturais e até mesmo fatores emocionais.
Causas da Disfagia:

1. Condições Neuromusculares e Neurológicas:
Doenças Degenerativas:
- Doença de Parkinson:
A coordenação dos músculos envolvidos na deglutição é afetada por rigidez muscular, tremores e lentidão de movimentos associados à doença de Parkinson.
- Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA):
A ELA afeta os neurônios motores, causando fraqueza muscular progressiva comprometendo os músculos responsáveis pela mastigação, deglutição e fala, levando a dificuldades na ingestão de alimentos e líquidos.
- Esclerose Múltipla:
A esclerose múltipla pode causar danos aos nervos que controlam os músculos da deglutição, resultando em dificuldade para engolir.
- Doença de Alzheimer e outras demências:
O comprometimento cognitivo e a perda de coordenação motora em doenças demenciais podem levar à disfagia, especialmente em estágios avançados.
- Atrofia de múltiplos sistemas (AMS):
A AMS afeta várias áreas do cérebro, incluindo aquelas responsáveis pela coordenação dos músculos da deglutição, causando disfagia.
- Paralisia Supranuclear Progressiva (PSP):
A PSP causa problemas de movimento e equilíbrio, afetando a capacidade de engolir.
- Acidente Vascular Cerebral (AVC):
Lesões cerebrais causadas por AVC podem afetar a coordenação dos músculos da boca, garganta e esôfago.
- Lesões na Cabeça e Pescoço:
Traumatismos podem danificar os nervos e músculos responsáveis pela deglutição.
- Miastenia Gravis e Distrofia Muscular:
Doenças que afetam a comunicação entre nervos e músculos podem levar à disfagia.
2. Obstruções Físicas:
- Tumores:
Cânceres na boca, garganta ou esôfago podem bloquear a passagem de alimentos e líquidos.
- Estenose Esofágica:
Estreitamento do esôfago, muitas vezes devido a refluxo gastroesofágico crônico, pode dificultar a passagem.
- Divertículos e Pólipos:
Pequenos sacos ou crescimentos anormais no esôfago podem obstruir a passagem.
- Corpos Estranhos:
A ingestão acidental de objetos pode causar obstrução.
3. Causas Relacionadas ao Esôfago:
- Refluxo Gastroesofágico (DRGE):
O refluxo do conteúdo do estômago para o esôfago pode causar inflamação e dor, dificultando a deglutição.
- Esofagite Eosinofílica:
Inflamação do esôfago causada por alergia alimentar, pode levar à disfagia.
- Acalásia:
Distúrbio no qual as contrações rítmicas do esôfago (os denominados movimentos peristálticos) estão ausentes ou comprometidas, o esfíncter esofágico inferior não relaxa normalmente e ocorre um aumento na pressão de repouso do esfíncter esofágico inferior.
- Esclerodermia:
Doença do tecido conjuntivo que pode afetar o esôfago, levando à disfagia.
4. Outras Causas:
- Infecções:
Abscessos, tuberculose e outras infecções podem causar inflamação e dificultar a deglutição.
- Radioterapia:
Tratamento de câncer na região da cabeça e pescoço pode causar danos aos tecidos e dificuldade para engolir.
- Efeitos Colaterais de Medicamentos:
Alguns medicamentos podem causar disfagia como efeito colateral.
- Estresse e Ansiedade:
Em alguns casos, o estresse e a ansiedade podem afetar a função da deglutição.
- Envelhecimento:
Com o avançar da idade, os músculos da deglutição podem enfraquecer, aumentando o risco de disfagia.
Tipos de Disfagia:
- Disfagia Orofaríngea:
Ocorre na região da boca e garganta, geralmente associada a condições neurológicas.
- Disfagia Esofágica:
Ocorre no esôfago, frequentemente relacionada a obstruções ou problemas motores.
Diagnóstico
O diagnóstico da disfagia envolve uma avaliação clínica detalhada, que pode incluir interrogatório, exame físico e diversos exames complementares, dependendo da suspeita e do caso específico.
Anamnese e exame físico:
- O médico irá realizar uma avaliação detalhada da história clínica do paciente, investigando a duração dos sintomas, a intensidade, se são intermitentes ou progressivos, e se há dificuldade com sólidos, líquidos ou ambos.
- Um exame físico será feito para avaliar a função da musculatura da boca, faringe e esôfago, bem como a presença de outros sintomas como dor, engasgos ou tosse durante a deglutição.
Exames complementares:
- Radiografia com contraste (videodeglutograma):
Permite visualizar o processo de deglutição, identificando possíveis problemas na passagem do alimento na faringe e esôfago.
- Endoscopia digestiva alta:
Permite visualizar o esôfago e avaliar a presença de alterações estruturais como estenoses ou tumores.
- Manometria esofágica:
Mede a pressão do esôfago, identificando problemas na contração do músculo esofágico.
- Tomografia computorizada (TC) ou Ressonância Magnética (RM):
São utilizados para avaliar alterações mais profundas na região do esôfago e órgãos adjacentes.
- Teste de deglutição cronometrado de água:
Um teste de rastreio que pode ser realizado à beira do leito em pacientes com recursos limitados.
Importante
Com base na combinação dos resultados da anamnese, exame físico e exames complementares, o médico poderá identificar a causa e o tipo de disfagia e iniciar o tratamento mais adequado e individualizado.
Na presença de sintomas procure atendimento médico.

