Em 2025, os afastamentos do trabalho custaram cerca de R$ 3,5 bilhões ao INSS, enquanto para as empresas os impactos vão muito além: pagamento dos primeiros 15 dias de salário, queda de produtividade, sobrecarga da equipe e aumento da tributação pelo Fator Acidentário de Prevenção (FAP). Um único acidente pode gerar prejuízos entre R$ 15 mil e R$ 80 mil, dependendo da gravidade.
Custos para o INSS
- Total de afastamentos em 2025: 4,1 milhões de benefícios por incapacidade temporária.
- Impacto financeiro: aproximadamente R$ 3,5 bilhões em pagamentos de auxílio-doença e benefícios relacionados.
- Saúde mental em destaque: transtornos ansiosos e depressivos somaram mais de 546 mil afastamentos, representando crescimento de 79% em relação a 2023.

Custos para as empresas
- Primeiros 15 dias de afastamento: pagos integralmente pelo empregador.
- Produtividade: queda no desempenho da equipe, necessidade de horas extras e sobrecarga dos colegas.
- Substituição de mão de obra: recrutamento e treinamento de substitutos temporários.
- Custos diretos: assistência médica, exames, fisioterapia, equipamentos de reabilitação.
- Custos indiretos: estimados em até 7 vezes maiores que os diretos, incluindo perda de produtividade, tempo de gestão e danos a equipamentos.
- Tributação adicional (FAP/RAT): empresas com alto índice de afastamentos têm aumento na alíquota do Seguro Acidente de Trabalho.
- Exemplo: uma empresa com folha de R$ 1 milhão/mês e alíquota de 3% pode pagar R$ 180 mil a mais por ano se o FAP dobrar.
Comparativo dos impactos
| Impacto | INSS | Empresas |
|---|---|---|
| Saúde mental | R$ 3,5 bi em benefícios | Alta sinistralidade em planos de saúde corporativos |
| Acidentes de trabalho | Benefícios B91 a B94 | Custos diretos (R$ 15–80 mil) + indiretos até 7x maiores |
| Doenças da coluna | Segunda maior causa de afastamento | Perda de produtividade e aumento de FAP |
Riscos e desafios
- Subestimação dos custos: muitas empresas contabilizam apenas despesas médicas, ignorando perdas indiretas.
- Aumento da tributação: histórico de afastamentos eleva o FAP e, consequentemente, os encargos trabalhistas.
- Planos de saúde corporativos: transtornos mentais são os principais responsáveis pela alta sinistralidade.
Estratégias de mitigação
- Programas de ergonomia para reduzir problemas de coluna.
- Ações de saúde mental como psicoterapia e apoio psicológico preventivo.
- Gestão de SST para monitorar padrões de adoecimento e evitar agravamento.
- Treinamento de equipes para reduzir acidentes e custos indiretos.
As empresas brasileiras podem reduzir significativamente os custos com afastamentos ao investir em ergonomia, programas de saúde mental, gestão eficiente do FAP/NTEP e monitoramento epidemiológico. Essas estratégias diminuem a frequência de doenças ocupacionais, reduzem a tributação adicional e aumentam a produtividade.
Estratégias práticas de prevenção
1. Gestão da ergonomia
- Ajuste de mobiliário e equipamentos para prevenir dores nas costas e LER/DORT.
- Pausas regulares e ginástica laboral.
- Redução de afastamentos por hérnia de disco e tendinites.
2. Programas de saúde mental
- Apoio psicológico e acompanhamento psiquiátrico.
- Treinamentos de liderança para reduzir estresse organizacional.
- Prevenção de ansiedade, depressão e burnout, que já são a segunda maior causa de afastamento.
3. Gestão do FAP (Fator Acidentário de Prevenção)
- Monitorar acidentes e doenças ocupacionais.
- Contestar inconsistências no cálculo do FAP.
- Reduzir a alíquota do Seguro Acidente de Trabalho, gerando economia anual significativa.
4. Gestão do NTEP (Nexo Técnico Epidemiológico Previdenciário)
- Documentar programas de prevenção e exames ocupacionais.
- Evitar caracterizações incorretas de nexo causal entre doença e atividade.
- Reduz custos indevidos com benefícios previdenciários.
5. Monitoramento epidemiológico
- Identificar padrões de afastamento por setor ou função.
- Antecipar medidas preventivas antes que os casos se tornem recorrentes.
6. Clima organizacional saudável
- Reconhecimento e valorização dos colaboradores.
- Redução de absenteísmo mental e presenteísmo.
- Maior engajamento e retenção de talentos.
Impacto esperado
| Medida | Redução de afastamentos | Economia potencial |
|---|---|---|
| Ergonomia | Até 30% em doenças da coluna | Menor gasto com fisioterapia e indenizações |
| Saúde mental | Até 25% em transtornos ansiosos/depressivos | Redução da sinistralidade em planos de saúde |
| Gestão FAP/NTEP | 10–20% em custos tributários | Economia anual de até R$ 180 mil em empresas médias |
| Clima organizacional | 15% em absenteísmo geral | Maior produtividade e retenção |
Riscos se não houver prevenção
- Aumento da tributação pelo FAP.
- Custos indiretos até 7 vezes maiores que os diretos (perda de produtividade, sobrecarga da equipe).
- Alta rotatividade e dificuldade de retenção de talentos.
Checklist de Prevenção de Afastamentos
1. Ergonomia
- Ajustar cadeiras e mesas à altura correta.
- Garantir iluminação adequada.
- Implementar pausas programadas e ginástica laboral.
- Treinar colaboradores sobre postura e uso de equipamentos.
2. Saúde mental
- Disponibilizar apoio psicológico (interno ou convênios).
- Promover palestras e workshops sobre estresse e ansiedade.
- Criar canais de escuta e feedback.
- Incentivar equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
3. Segurança ocupacional
- Realizar treinamentos regulares de prevenção de acidentes.
- Garantir uso correto de EPIs.
- Fazer inspeções periódicas em máquinas e equipamentos.
- Simular situações de emergência e primeiros socorros.
4. Monitoramento de saúde
- Acompanhar exames médicos periódicos.
- Registrar e analisar afastamentos por setor.
- Identificar padrões de adoecimento e agir preventivamente.
- Revisar relatórios de sinistralidade dos planos de saúde.
5. Clima organizacional
- Reconhecer e valorizar conquistas dos colaboradores.
- Incentivar diversidade e inclusão.
- Promover atividades de integração e engajamento.
- Monitorar índices de absenteísmo e presenteísmo.
Impacto esperado
- Redução de 20–30% em doenças da coluna.
- Redução de 20–25% em transtornos ansiosos/depressivos.
Referências utilizadas
- Life Laboral – Explica como decisões do INSS e enquadramentos de benefícios (B31 x B91) impactam diretamente o custo previdenciário das empresas via FAP e RAT.
- MCS Markup – Dados de 2025: mais de 4 milhões de afastamentos, custo estimado de R$ 3,5 bilhões ao INSS, e impacto financeiro direto para empresas, incluindo aumento de até R$ 180 mil/ano em tributos para uma folha de R$ 1 milhão.
- FAP Online – Relatório sobre recorde de afastamentos por saúde mental em 2025 (546 mil casos), detalhando como o FAP multiplica a alíquota do RAT e transforma afastamentos em custos diretos para empresas.
Cronograma de Implementação
1º Mês – Diagnóstico e ajustes iniciais
- Mapeamento ergonômico: revisar mobiliário, iluminação e postura dos colaboradores.
- Levantamento de saúde mental: aplicar questionários anônimos sobre estresse e ansiedade.
- Treinamento de segurança: capacitar equipe sobre uso de EPIs e prevenção de acidentes.
- Análise de afastamentos anteriores: identificar padrões por setor ou função.
2º Mês – Implementação de programas
- Ginástica laboral: iniciar pausas programadas e exercícios leves.
- Programa de apoio psicológico: oferecer atendimento interno ou convênio.
- Inspeções periódicas: revisar máquinas, equipamentos e riscos ambientais.
- Gestão do FAP/NTEP: monitorar afastamentos e preparar documentação preventiva.
3º Mês – Consolidação e monitoramento
- Relatórios de indicadores: acompanhar evolução dos afastamentos e custos.
- Feedback dos colaboradores: avaliar clima organizacional e engajamento.
- Ajustes nos programas: corrigir falhas e reforçar ações mais eficazes.
- Planejamento para próximo trimestre: definir novas metas e expandir iniciativas.
Impacto esperado após 3 meses
- Redução de 20–30% em afastamentos por doenças da coluna.
- Redução de 20–25% em afastamentos por ansiedade e depressão.
- Economia significativa em custos diretos (salários, benefícios) e indiretos (produtividade, FAP).
Esse cronograma pode ser repetido e ajustado a cada trimestre, criando um ciclo contínuo de prevenção e melhoria.
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