NR-01 2026 e AET: o que muda na fiscalização e o que sua empresa precisa fazer para estar em conformidade

A atualização da NR-01 (Norma Regulamentadora nº 1) trouxe uma mudança estrutural na forma como a fiscalização de Saúde e Segurança do Trabalho (SST) será realizada no Brasil.

A partir de 26 de maio de 2026, inicia-se a fase punitiva, com fiscalização mais inteligente, integrada e baseada em dados, incluindo cruzamentos com sistemas governamentais.

Além do PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos) e dos riscos psicossociais, ganha protagonismo a integração com:

AET (Análise Ergonômica do Trabalho) – NR-17
PCMSO (Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional) – NR-07

Como será a fiscalização da NR-01 em 2026

A fiscalização deixa de ser apenas documental e passa a ser:

  • Baseada em evidências
  • Integrada com bases governamentais
  • Orientada por indicadores de risco

O Auditor-Fiscal do Trabalho não analisará apenas documentos isolados, mas sim a coerência entre eles e os dados reais da empresa.


Checklist essencial: Os 3 pilares da fiscalização

1. PGR (NR-01) — A base de tudo

O que será avaliado:

  • Inventário de riscos atualizado
  • Inclusão de riscos físicos, químicos, biológicos, ergonômicos incluindo psicossociais) e acidentes.
  • Plano de ação com medidas de controle
  • Monitoramento contínuo

Como será feita a fiscalização:

O auditor vai verificar:

  • Se os riscos identificados fazem sentido com a atividade da empresa
  • Se há plano de ação para cada risco
  • Se as medidas foram implementadas

Cruzamento de dados:

O PGR será confrontado com:

  • Eventos de SST no eSocial (S-2210, S-2220, S-2240)
  • Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT)
  • Histórico de afastamentos

Exemplo prático:
Empresa com vários acidentes ou afastamentos por lombalgia sem risco ergonômico no PGR = forte evidência de não conformidade


2. AET (NR-17) — O foco da inconsistência

O que será avaliado:

  • Existência da AEP (obrigatória)
  • Critério técnico para indicação (ou não) da AET
  • AET realizada quando necessária
  • Coerência com queixas e adoecimentos

Como será feita a fiscalização:

O auditor vai analisar:

  • Se houve avaliação ergonômica real
  • Se a empresa ignorou riscos evidentes
  • Se há documentação técnica consistente

Sugestão: A Análise Ergonômica do Trabalho (AET) deve ser adotada de forma abrangente em todas as organizações e situações de trabalho, como base para decisões mais seguras e eficazes.

Cruzamento de dados:

A AET será confrontada com:

  • Afastamentos por doenças musculoesqueléticas (CID M)
  • Benefícios previdenciários (B31 / B91)
  • Dados do INSS
  • Queixas ocupacionais registradas
  • PCMSO (exames e monitoramento clínico)

Exemplo prático:
Alta incidência de afastamentos por LER/DORT sem AET realizada = alto risco de multa


3. PCMSO (NR-07) — A prova clínica

O que será avaliado:

  • Coerência entre riscos do PGR e exames do PCMSO
  • Monitoramento da saúde dos trabalhadores
  • Relatórios analíticos do PCMSO
  • Condutas médicas documentadas

Como será feita a fiscalização:

O auditor verificará:

  • Se os exames fazem sentido com os riscos
  • Se há acompanhamento de agravos à saúde
  • Se há ações preventivas

Cruzamento de dados:

O PCMSO será confrontado com:

  • Afastamentos pelo INSS
  • CATs registradas
  • eSocial (eventos de saúde)
  • Absenteísmo
  • Indicadores epidemiológicos internos

Exemplo prático:
Funcionários com perda auditiva sem controle de risco no PGR e sem monitoramento no PCMSO = não conformidade grave


O grande ponto: cruzamento de dados

A fiscalização moderna será baseada na integração de sistemas como:

  • eSocial
  • INSS
  • DET (Domicílio Eletrônico Trabalhista)
  • CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho)

O que será cruzado:

  • Afastamentos previdenciários
  • Doenças ocupacionais
  • Acidentes de trabalho
  • Exposição a riscos
  • Exames médicos ocupacionais

Como a multa é gerada

A autuação ocorrerá quando houver:

  • Inconsistência entre dados e documentos
  • Omissão de riscos
  • Falta de ação preventiva
  • Ausência de evidência

Situações clássicas de autuação:

  • Afastamentos frequentes sem previsão no PGR
  • Doenças ocupacionais sem análise ergonômica
  • PCMSO desconectado dos riscos reais
  • Falta de documentação comprobatória

Como se preparar (visão estratégica)

  • Integrar PGR + AET + PCMSO
  • Monitorar indicadores de saúde
  • Analisar afastamentos de forma ativa
  • Documentar todas as ações
  • Criar rastreabilidade

Conclusão

A NR-01 em 2026 marca a transição definitiva:

De uma SST documental para uma SST baseada em dados, evidência, indicadores e coerência técnica

Nesse novo cenário:

  • O PGR mostra o risco
  • A AET explica o impacto real do trabalho
  • O PCMSO prova o efeito na saúde

E o governo cruza tudo isso.

A inconsistência entre os dados pode resultar em autuação pelos órgãos fiscalizadores.

Revisão Médica: Dra Cléo Etges, Medicina do Trabalho, CRM 90.922, RQE 40.343.