Os afastamentos do trabalho por transtornos mentais no Brasil aumentaram mais de 400% desde a pandemia e alcançaram 472.328 licenças apenas em 2024, segundo dados do Ministério da Previdência Social — o maior volume em uma década.
Entre os motivos mais frequentes estão ansiedade e depressão, que seguem no topo do ranking de afastamentos.
Neste artigo, você vai entender por que esses casos crescem tanto, quais são os direitos do trabalhador, o que a Lei 14.831 muda no ambiente corporativo e como prevenir novos afastamentos.
Principais causas dos afastamentos por transtornos mentais
1. Ansiedade e depressão lideram os afastamentos
Somadas, essas duas condições representam:
- 141.414 afastamentos por ansiedade, e
- 113.604 afastamentos por depressão.
2. Outros transtornos também preocupam
Além dos dois principais, aparecem:
- esquizofrenia
- transtornos ligados ao uso de álcool e cocaína
- transtornos de personalidade
Esses números mostram que a saúde mental precisa ser tratada como pauta estratégica dentro das empresas.
Benefício por incapacidade: Como funciona pelo INSS
Quando o trabalhador precisa se afastar por mais de 15 dias, ele pode solicitar o benefício por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença).
O INSS avalia a condição por meio de perícia médica e define o tempo inicial de afastamento.
Leia também: Como pedir afastamento do trabalho por doenças?
Lei 14.831/2024: O que muda para as empresas?
Em vigor desde março de 2024, a norma incentiva organizações a adotarem critérios formais de promoção da saúde mental e do bem-estar no ambiente de trabalho.
Isso inclui:
- ações preventivas
- identificação de riscos psicossociais
- programas de acolhimento e reabilitação
Leia também: Riscos psicossociais: como identificar e controlar.
Por que a prevenção é essencial?
Investir em saúde mental reduz:
- afastamentos recorrentes
- queda de produtividade
- rotatividade
- custos trabalhistas
Programas estruturados de prevenção são considerados hoje uma vantagem competitiva.
Leia também: Iniciativas de baixo custo para melhorar a saúde mental nas empresas.
Perguntas frequentes (FAQ)
Quanto tempo o INSS afasta por depressão?
O período costuma ser de até 120 dias, com possibilidade de prorrogação por mais 60 dias, conforme laudos médicos e avaliação da perícia.
Quais são os direitos do trabalhador afastado por depressão?
1. Auxílio-doença
Pago pelo INSS enquanto durar a incapacidade comprovada.
2. Estabilidade no emprego
O trabalhador não pode ser demitido durante o afastamento e tem estabilidade de 12 meses após o retorno, conforme a Lei nº 8.213/91.
3. Avaliação por perícia médica
É obrigatório apresentar:
- laudos médicos
- atestados
- receitas e histórico de tratamento
O que fazer ao enfrentar problemas de saúde mental
1. Procure ajuda especializada
Apoio psicológico e psiquiátrico é essencial para diagnóstico e tratamento.
2. Avise seu empregador
Se houver necessidade de afastamento, comunique formalmente e siga o fluxo do INSS.
3. Busque apoio emocional
Compartilhar a situação com familiares, amigos ou grupos de apoio reduz a sensação de isolamento.
4. Entenda que pedir ajuda é um ato de cuidado
Enfrentar a situação é fundamental para recuperar o bem-estar e a qualidade de vida.
Por que a depressão gera afastamentos longos e sem solução rápida?
A depressão pode levar a afastamentos prolongados devido a uma combinação de fatores, como:
1. Complexidade da doença
Atinge corpo, mente e emoções, impactando produtividade e funcionalidade.
2. Dificuldade de identificar o grau
Os sintomas variam e nem sempre são visíveis, tornando a avaliação subjetiva.
3. Falta de acesso a tratamento adequado
Altos custos, pouca oferta de especialistas e longas filas dificultam o acompanhamento contínuo.
4. Estigma social
O preconceito atrasa o diagnóstico e inibe a busca por apoio.
5. Impacto no desempenho
Compromete:
- concentração
- memória
- tomada de decisão
6. Ciclo de baixa autoestima
Sensação de incapacidade, desmotivação e culpa agravam o quadro.
7. Ambiente de trabalho adoecido
Pressão excessiva, mudanças constantes e comunicação falha são gatilhos comuns.
8. Problemas financeiros e sociais
Insegurança, solidão e falta de apoio familiar aumentam o risco de recaídas.
Como enfrentar e reduzir afastamentos por depressão
1. Acompanhamento profissional contínuo
Tratamento com psicólogos e psiquiatras.
2. Terapia
Ajuda a identificar causas, reorganizar pensamentos e desenvolver ferramentas de enfrentamento.
3. Medicamentos
Indicados quando necessários para estabilizar sintomas.
4. Hábitos saudáveis
Sono adequado, atividade física e boa alimentação melhoram a resposta ao tratamento.
5. Rede de apoio
Família, amigos e grupos especializados fortalecem o processo de recuperação.
6. Conhecimento sobre direitos trabalhistas
Entender regras do INSS e estabilidade ajuda a reduzir inseguranças.
7. Comunicação aberta no trabalho
Empresas com cultura acolhedora diminuem o risco de agravamento emocional.
Conclusão: Saúde mental é prioridade e exige ação imediata
O crescimento dos afastamentos por ansiedade e depressão mostra que não se trata apenas de um problema individual, mas sim organizacional e social.
Investir em prevenção, acolhimento e programas estruturados de saúde mental é a melhor forma de reduzir custos, melhorar o clima organizacional e garantir qualidade de vida aos trabalhadores.
Se você é empresa, é hora de agir.
Se você é trabalhador, lembre-se: buscar ajuda é o primeiro passo para recomeçar.
Revisão médica: Dra Cléo Etges, CRM 90.922. Medicina do Trabalho (USP – Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo) e Medicina Integrativa (Hospital Albert Einstein Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa)

