Estratégias e hábitos para reduzir o risco
O câncer de pâncreas é um tipo de tumor maligno que normalmente não apresenta sinais e sintomas nos estágios iniciais, sendo diagnosticado com mais frequência nos estágios mais avançado e por isso, apresenta alta taxa de mortalidade.
O risco de desenvolver câncer de pâncreas aumenta com a idade, com a maioria dos casos sendo diagnosticados em pessoas com mais de 60 anos.
Funções do pâncreas
O pâncreas tem duas funções principais: digestiva e hormonal.
Função digestiva:
- O pâncreas produz enzimas digestivas (amilase, lipase e protease) que são liberadas no intestino delgado para quebrar carboidratos, gorduras e proteínas, respectivamente. Essas enzimas são essenciais para a absorção de nutrientes pelo organismo.
- O pâncreas também produz bicarbonato, que neutraliza o ácido do estômago que chega ao intestino delgado, protegendo o órgão.
Função hormonal:
- O pâncreas produz hormônios, como a insulina, que é fundamental para o controle do açúcar no sangue. A insulina permite que as células do corpo absorvam a glicose para obter energia.
- Quando a produção de insulina é deficiente ou as células não a utilizam adequadamente, pode ocorrer diabetes.
Condições associadas ao comportamento que aumentam o risco de desenvolvimento da doença:
- obesidade,
- diabetes tipo 2
- tabagismo
- consumo excessivo de álcool
- baixo consumo de fibras, frutas, vegetais e carnes magras
- condições genéticas ou hereditárias, como síndrome de Lynch, câncer pancreático familial e pancreatite hereditária.
Sintomas iniciais mais comuns:

Geralmente não apresenta sintomas iniciais, o que dificulta o diagnóstico precoce. Alguns sintomas mais comuns quando a doença está mais avançada são:
- Icterícia: Amarelamento da pele e dos olhos, causado pelo acúmulo de bilirrubina devido ao bloqueio do fluxo biliar pelo tumor.
- Dor abdominal: Especialmente na parte superior ou média do abdômen, podendo irradiar para as costas.
- Perda de peso inexplicada: Emagrecimento significativo sem motivo aparente, mesmo com apetite normal.
- Alterações nos hábitos intestinais: Diarreia ou constipação persistentes, fezes claras e oleosas.
- Fadiga: Cansaço excessivo e persistente.
- Náuseas e vômitos: Podem ocorrer devido à interferência do tumor no funcionamento do sistema digestivo.
- Diabetes de início recente: O tumor pode afetar a produção de insulina, levando ao desenvolvimento de diabetes.
Importante
Embora não existam métodos totalmente eficazes para prevenir o câncer de pâncreas, adotar um estilo de vida saudável pode reduzir significativamente o risco de desenvolvimento da doença.
A seguir, destacam-se algumas estratégias e recomendações fundamentais:
Não fumar
O tabagismo é um dos principais fatores de risco para o câncer de pâncreas. Fumar aumenta, de forma significativa, a probabilidade de desenvolver a doença. Portanto, evitar ou interromper o uso de produtos derivados do tabaco é uma das medidas mais importantes de prevenção.
Manter uma alimentação saudável
Adotar uma dieta rica em frutas, legumes, vegetais, grãos integrais e alimentos com baixo teor de gordura está associado à redução do risco de diversos tipos de câncer, incluindo o de pâncreas.
Evite
Gorduras: Frituras, carnes gordas (como bacon, linguiça, salsicha), laticínios integrais (queijos, manteiga, leite integral), alimentos processados com alto teor de gordura trans.
Açúcares refinados: Doces, refrigerantes, bolos, sobremesas e outros alimentos com alto teor de açúcar adicionado.
Álcool: O consumo excessivo de álcool é uma das principais causas de pancreatite, uma inflamação do pâncreas.
Alimentos processados: Alimentos com muitos aditivos, conservantes, corantes e gorduras saturadas podem sobrecarregar o pâncreas.
Excesso de sal: o consumo excessivo de sal pode prejudicar o páncreas, principalmente po meio de aumento do risco de desenvolvimento de diabetes tipo 2. Estudos indicam que o sódio, presente no sal, pode afetar a sensibilidade à insulina e a produção desse hormônio pelo pâncreas, levando à resistência à insulina e, consequentemente, ao aumento da glicose no sangue.
Leia também: Sal, conheça os tipos, seus benefícios e malefícios.
Frituras: podem prejudicar o pãncreas, especialmente em pessoas com predisposição a problemas pancreáticos ou com pancreatite. O consumo excessivo de alimentos ricos em gordura, como frituras, força o pâncreas a trabalhar mais para produzir enzimas digestivas, o que pode levar a inflamação e outros problemas.
Carnes vermelhas e processadas: Comer carne vermelha pode aumentar o risco de câncer de pâncreas, especialmente carne cozida em altas temperaturas. Carne vermelha inclui carne bovina, de cordeiro e de porco. Comer carne processada também pode aumentar o risco de câncer de pâncreas.
Alimentos ultraprocessados, ricos em açúcar e gordura saturada, devem ser evitados ou consumidos com moderação.
- Prefira alimentos frescos, naturais, orgânicos e da estação.
- Inclua fibras, como cereais integrais e leguminosas.
- Evite contato com produtos químicos em excesso, inclui ingestão e contato com a pele.
Manter o peso corporal saudável
A obesidade é um fator de risco conhecido para o câncer de pâncreas. O excesso de peso, especialmente na região abdominal, pode elevar as chances de desenvolvimento da doença. A prática regular de atividades físicas e o controle do peso são fundamentais para a prevenção.
Praticar atividades físicas regularmente
A atividade física, além de ajudar no controle do peso, contribui para o equilíbrio hormonal e a melhora do sistema imunológico, fatores que podem impactar positivamente na redução do risco de câncer.
Evitar consumo excessivo de álcool
O consumo elevado de bebidas alcoólicas pode contribuir para doenças pancreáticas crônicas, como a pancreatite, que está associada ao aumento do risco de câncer de pâncreas. O consumo moderado ou a abstinência são opções recomendadas para a saúde do pâncreas.
Controlar doenças crônicas
Algumas doenças, como o diabetes tipo 2 e a pancreatite crônica, aumentam o risco de câncer de pâncreas. O acompanhamento médico, o controle glicêmico e o tratamento adequado dessas condições são essenciais para a prevenção.
Histórico familiar e fatores genéticos
Indivíduos com histórico familiar de câncer de pâncreas possuem risco aumentado para a doença. Em casos de antecedentes familiares, é importante relatar ao profissional de saúde e considerar acompanhamento especializado e, se indicado, avaliações genéticas.
Cuidados e acompanhamento médico
Consultas regulares ao médico, exames de rotina e atenção aos fatores de risco permitem a identificação precoce de alterações no organismo. Em caso de sintomas persistentes, como dor abdominal, perda de peso inexplicada ou icterícia, procure atendimento especializado. Faça check-ups regulares: Exames de sangue como lipase e amilase, um simples ultrassom abdominal pode visualizar a estrutura do pâncreas e identificar anomalias. Exames como tomografia e ressonância fornecem imagens mais detalhadas.
Evite o uso de medicamentos desnecessários
O uso excessivo e por conta própria de certos medicamentos como a cortisona pode prejudicar o pâncreas levando a pancreatite, uma inflamação do órgão. Outros medicamentos, como azatioprina, furosemida, inibidores da ECA e alguns antibióticos com sulfa, também estão associados a essa condição.
Mantenha hidratação adequada
Beber bastante água ajuda a manter o sistema digestivo funcionando corretamente e pode ajudar a prevenir problemas no pâncreas.
Leia também: Você se hidrata corretamente?
Considerações finais
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA)
Aproximadamente 5 a 10% dos casos de câncer são considerados hereditários, ou seja, causados por alterações genéticas herdadas dos pais. No entanto, a maioria dos casos de câncer (80 a 90%) está associada a fatores externos e alterações genéticas adquiridas ao longo da vida.

Embora não seja possível eliminar completamente o risco de câncer de pâncreas, escolhas saudáveis ao longo da vida, a cessação do tabagismo, a alimentação equilibrada, a diminuição da exposição à produtos químicos, o controle do peso e o acompanhamento médico regular são aliados importantes na prevenção dessa doença.
Revisão médica: Dra Cléo Etges, CRM 90.922. Medicina do Trabalho (USP – Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo) e Medicina Integrativa (Hospital Albert Einstein Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa).

