Neste guia você encontrará informações sobre afastamento do trabalho, atestados médicos, INSS, doenças ocupacionais, transtornos mentais e os principais motivos que levam trabalhadores a se afastarem das suas atividades profissionais.
Sumário
- O que é afastamento do trabalho?
- Quando um trabalhador pode ser afastado?
- Quem decide o afastamento?
- Quantos dias de atestado são aceitos?
- Principais doenças que podem gerar afastamento
- Afastamento por transtornos mentais
- Afastamento por doenças ocupacionais
- O que acontece após 15 dias?
- O que a empresa deve fazer?
- Artigos relacionados sobre afastamento do trabalho
- Perguntas Frequentes (FAQ)
O que é afastamento do trabalho?
O afastamento do trabalho ocorre quando o trabalhador fica temporariamente impossibilitado de exercer suas atividades laborais em razão de doença, acidente ou outra condição que comprometa sua capacidade para o trabalho.
Durante esse período, o empregado pode apresentar atestado médico e, dependendo da duração do afastamento, receber remuneração da empresa ou benefício previdenciário do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
É importante destacar que o afastamento não significa necessariamente incapacidade permanente. Em muitos casos, trata-se de uma medida temporária destinada à recuperação da saúde do trabalhador.
Segundo dados do INSS, transtornos mentais e doenças osteomusculares estão entre as principais causas de afastamento do trabalho no Brasil. O crescimento dos afastamentos relacionados à saúde mental tem levado empresas a investir cada vez mais em programas de prevenção, gestão dos riscos psicossociais e promoção do bem-estar dos colaboradores.
O que diz a legislação sobre afastamento do trabalho?
O afastamento está amparado por diversas normas legais, incluindo:
- Consolidação das Leis do Trabalho (CLT);
- Lei nº 8.213/1991 (Planos de Benefícios da Previdência Social);
- Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho;
- Regulamentos do INSS.
Essas normas garantem proteção ao trabalhador durante períodos de incapacidade temporária ou permanente.
Diferença entre falta justificada e afastamento
Embora os termos sejam frequentemente confundidos, existem diferenças importantes:
Falta justificada
- O trabalhador se ausenta por motivo legalmente aceito.
- Pode ocorrer por consulta médica, exames, falecimento de familiar, casamento e outras hipóteses previstas em lei.
- Nem sempre há incapacidade para o trabalho.
Afastamento do trabalho
- Ocorre quando existe incapacidade temporária para exercer as atividades laborais.
- Normalmente exige avaliação médica e emissão de atestado.
- Pode resultar em encaminhamento ao INSS quando ultrapassa determinados prazos.
Quando um trabalhador pode ser afastado?
O afastamento pode ocorrer por diversos motivos.
Doenças comuns
São aquelas sem relação direta com o trabalho, como:
- Influenza A
- Pneumonia
- Conjuntivite
- Gastroenterites e diarreias
- Infecções diversas
- Crises de enxaqueca
- Labirintite
- Dengue
- COVID-19
A necessidade de afastamento dependerá da gravidade dos sintomas e da avaliação médica.
Acidentes
O afastamento também pode ocorrer após acidentes:
- domésticos;
- de trânsito;
- esportivos;
- acidentes de trabalho.
Quando o acidente possui relação com a atividade profissional, podem existir obrigações adicionais para a empresa, incluindo a emissão da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT).
Doenças ocupacionais
São enfermidades relacionadas às atividades profissionais ou às condições de trabalho.
Exemplos:
- LER/DORT;
- tendinites;
- bursites;
- síndrome do túnel do carpo;
- lombalgias relacionadas ao trabalho;
- perda auditiva induzida por ruído;
- doenças respiratórias ocupacionais.
Transtornos mentais
Os transtornos mentais representam uma das principais causas de afastamento no Brasil.
Entre os mais frequentes estão:
- ansiedade;
- depressão;
- síndrome de burnout;
- transtornos relacionados ao estresse ocupacional.
Nos últimos anos, esses casos passaram a receber atenção crescente das empresas, especialmente em razão das exigências relacionadas ao gerenciamento dos riscos psicossociais.
Quem decide o afastamento?
Médico assistente
O médico assistente é o profissional que acompanha o paciente e pode emitir atestados médicos indicando o período necessário para recuperação.
A duração do afastamento deve ser baseada em critérios técnicos e clínicos.
Médico do trabalho
O médico do trabalho atua na avaliação da aptidão laboral e na análise da relação entre saúde e trabalho.
Ele pode:
- avaliar restrições;
- recomendar adaptações;
- realizar exames ocupacionais;
- orientar retorno ao trabalho.
Perícia do INSS
Quando a incapacidade ultrapassa os limites previstos para pagamento pela empresa, o trabalhador pode ser submetido à perícia médica do INSS.
O perito avalia:
- a existência de incapacidade;
- sua duração;
- o direito ao benefício previdenciário.
Quantos dias de atestado são aceitos?
Não existe um limite legal único para a quantidade de dias que um médico pode conceder em um atestado.
O período depende da condição clínica do paciente.
De forma geral:
- os primeiros 15 dias consecutivos de afastamento por incapacidade são remunerados pela empresa;
- a partir do 16º dia, o trabalhador poderá ser encaminhado ao INSS para avaliação do benefício previdenciário, quando cabível.
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Principais doenças que podem gerar afastamento
Diversas doenças podem resultar em afastamento temporário.
| Doença | Pode gerar afastamento? |
|---|---|
| Influenza A | Sim |
| Conjuntivite | Sim |
| Pneumonia | Sim |
| Terçol | Em alguns casos |
| Diarreia | Sim |
| Psoríase | Dependendo da gravidade |
| Herpes Zoster | Sim |
| COVID-19 | Sim |
| Dengue | Sim |
| Labirintite | Sim |
| Enxaqueca | Sim |
A necessidade de afastamento depende sempre da avaliação médica individual.
Tempo médio de afastamento por doença
| Condição | Tempo médio de afastamento* |
|---|---|
| Influenza A | 3 a 7 dias |
| Conjuntivite viral | 5 a 7 dias |
| Terçol | 1 a 5 dias |
| Diarreia aguda | 1 a 3 dias |
| Pneumonia | 7 a 30 dias |
| Herpes Zoster | 7 a 21 dias |
| Psoríase | Variável conforme a gravidade |
| Eczema palpebral | 1 a 14 dias |
| Unha encravada | 1 a 7 dias |
* Os períodos podem variar conforme a gravidade do caso, atividade exercida e avaliação médica individual.
Afastamento por transtornos mentais
Os transtornos mentais estão entre os principais fatores de absenteísmo e incapacidade laboral.
Ansiedade
Quadros leves podem permitir a continuidade do trabalho com acompanhamento adequado.
Casos mais graves podem exigir afastamento temporário.
Depressão
A depressão pode comprometer significativamente:
- concentração;
- produtividade;
- tomada de decisão;
- relacionamento interpessoal.
Dependendo da gravidade, pode justificar afastamento médico.
Síndrome de Burnout
Reconhecida como fenômeno ocupacional, a síndrome de burnout pode causar:
- exaustão extrema;
- esgotamento emocional;
- redução do desempenho profissional.
Casos graves podem demandar afastamento e tratamento especializado.
Afastamento por doenças ocupacionais
LER/DORT
As Lesões por Esforços Repetitivos e os Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho permanecem entre as principais causas de incapacidade laboral.
Tendinite
A inflamação dos tendões pode limitar movimentos essenciais para a execução das atividades profissionais.
Lombalgia
A dor lombar é uma das principais causas de absenteísmo em diversas categorias profissionais.
Síndrome do túnel do carpo
Pode comprometer a função das mãos e exigir afastamento temporário, especialmente em atividades repetitivas.
O que acontece após 15 dias de afastamento?
Quando a incapacidade se prolonga, novas etapas podem ser necessárias.
Encaminhamento ao INSS
O trabalhador poderá solicitar benefício previdenciário mediante avaliação pericial.
Auxílio por incapacidade temporária
O benefício é destinado aos segurados que comprovem incapacidade para o trabalho durante período determinado.
Perícia médica
A concessão, manutenção ou cessação do benefício depende da avaliação realizada pelo INSS.

Como funciona a perícia médica do INSS?
A perícia médica tem como objetivo avaliar se existe incapacidade laboral e por quanto tempo ela deve ser reconhecida.
Durante a perícia, o médico perito analisa:
- Atestados médicos;
- Exames complementares;
- Relatórios médicos;
- Histórico clínico;
- Limitações funcionais.
O trabalhador deve comparecer na data agendada levando toda a documentação atualizada.
Leia também: Como pedir afastamento do trabalho por doença.
O que a empresa deve fazer?
O afastamento não deve ser tratado apenas como uma questão administrativa.
Ele representa uma importante fonte de informações para a gestão da saúde ocupacional.
As empresas devem:
Monitorar o absenteísmo
Identificar:
- principais causas de afastamento;
- setores mais impactados;
- tendências de adoecimento.
Leia também Absenteísmo nas empresas: como calcular?
Gerenciar afastamentos
Acompanhar indicadores ajuda a reduzir custos e melhorar a produtividade.
Manter os programas ocupacionais atualizados
Entre eles:
- PCMSO;
- PGR;
- AEP
- LTCAT
- Laudo Técnico de Insalubridade
- programas de promoção da saúde;
- ações preventivas.
Leia mais: PCMSO vencido gera multa? Sim — veja valores e como regularizar
PCMSO na prática: como o registro correto das doenças crônicas muda a gestão da saúde ocupacional
Realizar monitoramento epidemiológico
A análise dos dados permite identificar padrões de adoecimento e direcionar ações preventivas.
Investir em prevenção
A prevenção continua sendo a estratégia mais eficaz para reduzir afastamentos e promover ambientes de trabalho mais saudáveis.
Os afastamentos estão impactando a produtividade da sua empresa?
Muitas organizações só percebem o custo real do absenteísmo quando os indicadores já estão comprometidos. Monitorar as principais causas de afastamento é essencial para reduzir perdas, melhorar a produtividade e promover ambientes de trabalho mais saudáveis.
A Santé Gestão Ocupacional oferece soluções completas para gestão de saúde ocupacional, prevenção de afastamentos, redução do absenteísmo e atendimento às exigências legais.
Fale com a Santé Gestão Ocupacional pelo WhatsAppPerguntas frequentes sobre afastamento do trabalho
A validade do atestado deve ser analisada conforme os critérios legais e técnicos aplicáveis. Havendo dúvidas justificadas, a empresa pode adotar procedimentos de verificação compatíveis com a legislação.
Em regra, quando a incapacidade ultrapassa 15 dias consecutivos.
Sim. Dependendo da gravidade do quadro e da avaliação médica, pode haver indicação de afastamento.
Sim. Casos sintomáticos podem exigir afastamento temporário conforme avaliação médica.
Nos primeiros 15 dias consecutivos por incapacidade, o pagamento normalmente é realizado pela empresa. Após esse período, pode haver encaminhamento ao INSS, conforme a situação do trabalhador.
O médico do trabalho possui atribuições próprias relacionadas à aptidão laboral. Eventuais divergências devem ser tratadas com base em critérios técnicos, éticos e na legislação aplicável.
Sim. Após o retorno ao trabalho, o empregado geralmente possui estabilidade de 12 meses, conforme previsto na legislação aplicável.
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A gestão eficiente dos afastamentos exige conhecimento técnico, acompanhamento contínuo e ações preventivas que atuem na causa dos problemas.
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Revisão médica: Dra Cléo Etges, CRM 90.922 / RQE 40.343.

